18 junho 2006

Eu amo o meu Rei

Tenho escrito pouco, muito pouco. Estou a 15 mil km de casa e o afastamento obriga a estas coisas. Tudo me parece distante. Se de Portugal recebi ecos de um jogo com os iranianos, que por aqui foi visto com a habitual simpatia por Portugal, os meus horizontes circunscrevem a vida que aqui me tem sido possível manter, entre o descanso e os preparativos para uma conferência que aqui pronunciarei sobre as relações entre Portugal e o Sião.
A semana tem sido emotiva. Percorro as ruas e sou confrontado com massas compactas envergando a camisola amarela dourada com as armas reais e um vibrante Eu Amo o Meu Rei. Chefes de Estado de todas as monarquias reinantes que aqui vieram a Banguecoque em grande pompa para render homenagem a mais antigo monarca vivo. Uma impressionante procissão de barcas reais fez-me regressar, por momentos, ao século de Luís XIV; uma gigantesca parada militar deu-me a medida correcta daquela dignidade que só as monarquias realizam sem agressividade; uma imensa festa popular comprovou a efectiva adesão das pessoas comuns a uma monarquia que garantiu a este país jamais colonizado décadas de desenvolvimento e crescimento económico sustentável, liberdade e orgulho como há muito não se via numa região que esteve prestes a ser inteiramente destruída pela guerra e pelo comunismo.

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