14 junho 2006

Estádio Lumpini



Chamam-lhe o grande templo do Muay Thai. Sexta-feira vou lá estar para assistir a mais uma Luta pela Liberdade (มวยไทย ). Arte marcial decorrente da tradição mongol de que os thais são tributários, era praticada pela casta guerreira antes de se democratizar e converter em "desporto nacional". Só há poucos anos me apercebi que estes "desportos nacionais" não são tão populares como o exotismo reles e o turismo pretendem fazer crer. Mutatis mutandis, seria o mesmo que afirmar que o desporto dos portugueses é o jogo do pau, o dos franceses os torneios medievais e o dos japoneses o Sumo! O mundo moderno tudo terraplanou, tudo mercantilizou e vulgarizou. Os bravos lutadores do Muay Thai transformaram-se em mercenários. Se bem que lhes seja inculcada desde crianças a ética inerente ao violento ofício - lealdade, auto-domínio, camaradagem, bom-ganhar e bom-perder - muitos jovens oriundos de famílias pobres procuram uma via (sacrificada) para o reconhecimento social. Tenho pena que todas as dores do espectáculo sirvam para o divertimento de uns centos de turistas grosseiros, barrigudos e alarves. Ocorre-me a imagem do Circo Máximo, onde homens destemidos davam a vida na arena, enquanto milhares de parasitas do pão e vinho imperiais se acotovelavam nas bancadas para assistir ao sacrifício dos derrotados. As multidões são assim: consumistas, gritadoras e medrosas. Ai como gostaria de ver - pagá-lo-ia em ouro - um desses europeus vociferantes entre as quatro cordas do ringue !

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