11 junho 2006

10 de Junho e futebol


A milhares de quilómetros de distância, o 10 de Junho e os febris preparativos para o jogo com Angola permitem-me, longe mas português, três curtos comentários:
1) A RTP-I passou imagens das duas cerimónias mais representativas da efeméride comemorada: as oficiais e aquelas, mais verdadeiras e sentidas, dos Combatentes do Ultramar, em Belém. As oficiais, marcadas pela pelintrice habitual, com nota negativa para o patético exibicionismo de Benard da Costa falando de si, de si, de si, com os tiques típicos de uma geração que esteve sempre na linha da frente pelo sarcasmo e pelo desprezo pelo país, e nota positiva para o Presidente Cavaco Silva, que não recua, não balbucia nem se envergonha ao proclamar o "orgulho nacional", o patriotismo e a grandeza desta outrora grande nação derramada pelas sete partidas do mundo.
2) O grande sucesso de convocatória dos Combatentes do Ultramar, reparando o desânimo de anos passados, evocando, juntos, os nomes de brancos, pretos, amarelos e mulatos que deram o sangue em defesa de uma ideia de Portugal que se quis apagar, esquecer ou ridicularizar ao longo de décadas: a desse Portugal que ia de Lisboa a Dilí, de Luanda a Goa, de Lourenço Marques a Macau. No êxito das celebrações estará a mão de Paulo Teixeira Pinto, que continua, como sempre, ardente e fiel a um Portugal orgulhoso do seu passado ultramarino.
3) O surto de são patriotismo, sem agressividade, sem remoques nem ódio, que junta milhões de portugueses e lusófonos numa comovente festa de família. Vi as imagens da Alemanha, os angolanos, brasileiros e portugueses juntos, tratando-se por irmãos. Em suma, a comprovação de que a ideia de Portugal é um poderoso agente de aproximação. É este o milagre português. Perguntem a britânicos, franceses e holandeses se o conseguem. Ficarão, certamente, envergonhados.

Sem comentários: