24 maio 2006

Sócrates endireita


Andam os velhotes do PS em polvorosa contra o estilo de Sócrates, cada vez menos PS (i.e, cada vez menos lutas académicas, cada vez menos candidatura de Humberto Delgado, menos geração baladeira, menos cantigas de roda, menos bem-aventuranças). Sócrates é um líder moderno, na modernidade permitida a um país que vive hoje, já não 30, mas 50 anos atrasado em relação à Europa. Na tradição portuguesa, Ribeiro dos Santos, João Franco e Cunha Leal tentaram, em três regimes diferentes, defender o que era defensável e mudar o que urgia. Falharam. O país detesta as reformas, prefere as catástrofes. Ora, os velhotes do PS - que já foram ministros, secretários de Estado, directores gerais, eurodeputados, deputados e presidentes de câmara - querem que tudo fique na mesma num partido que é o epítome das brandas qualidades portuguesas: consensualismo, deixa-passar, tergiversação, nacional-amiguismo, nacional-familiarismo, água-bentismo, aventalismo e provincianismo com patine capitaleirista (Maltez dixit). Só que desta vez - FINALMENTE - não há nem os Soares, nem os Almeidas Santos nem os Alegres que bastem para impedir o novo Condottiere de empurrar o barco para o mar alto. Espero que consiga.
Ninguém falou no caso, mas Sócrates já conseguiu em parte, com a genial estratégia das autárquicas e das presidenciais, por na rua parte apreciável do lastro do velho PS. Atirou-os para a fogueira das vaidades. Saíram, não chamuscados, mas transformados em torresmos Carrilho, Soares-filho, Alegre, Soares-pai, Assis e aquela criatura terrível cujo nome não me ocorre, o tal que matou em plena lota o cabeça de lista às europeias. Agora, resta a tropa miúda das milicias de província, mais uns convivas da linha de Cascais e uns ex-plataformistas para que a casa possa, finalmente depois de 30 anos, respirar. Salvé, Socrates !

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