10 maio 2006

Os colonialistas: a tribo branca da África Oriental (8)




Grande chefe
O meu tio Aurélio de Lonet Tenreiro (1912-1994), primo do almirante. A atracção pela África levou um, depois outro, e logo outro irmão ao Congo Belga, S. Tomé e Príncipe e Moçambique. Aurélio, membro do quadro administrativo, fixou-se na África Oriental: aspirante em Ressano Garcia, Chefe de Posto na Namaacha e Barué, secretário da Administração em Malema (Distrito de Nampula), secretário do governador de Nampula, administrador do concelho de Nampula, foi subindo na hierarquia colonial graças aos excelentes predicados que a folha de serviços atestava. Nos difíceis concursos públicos que foi vencendo, impunha-se pela inteligência, pelo conhecimento das questões coloniais e pela presença disciplinadora. Lembro-me dele pela grandeza do porte, pela autoridade que exercia tão naturalmente como quem respirava, mas também, pelo olhar vivo e pela graça que lhe davam um magnetismo especial, tão raro de encontrar. Saíu-se sempre bem das mais difíceis missões, pelo que no seu palmarés de condecorações até figurava o de cavaleiro da ordem de Isabel a Católica, atribuído pelo Caudilho de Espanha por ocasião da visita a Moçambique da sua filha. Casado com a minha tia-avó Loti, só após o seu regresso à Metrópole, terminado o império, tive oportunidade de com ele conviver ao longo de vinte anos. Deixou-nos em 1994, mas ainda se lhe referimos como estivesse aqui.

Sem comentários: