02 maio 2006

O deus de Epicuro e de Lucrécio


Eventualmente o deus verdadeiro, aquele que menos se revela. Um deus demasiado ocupado com milhões de galáxias e biliões de sistemas solares para ter tempo de se abeirar desta microscópica bolha de lama. Um arquiecto ou um relojoeiro cansado, ou quiçá, mais dedicado a outras obras com melhor acabamento. Distante, gélido, indiferente, nem o Deus do deserto esperando a decifração de um anacoreta, nem o deus búdico exigindo a transposição das grilhetas da matéria, nem abstracto nem pleno. Nós, por cá, vamos interpretando os seus desígnios, dando forma às suas exações, aos caprichos e fúrias daqueles que se julgam seus mediadores, inventando-o, reinventando-o, eclipsando-o mas modas e modos antropo-lógicos.
A propósito, recomenda-se vivamente Improvisações sobre a Ideia de Deus, de António Bracinha Vieira, um brilhante ensaio sobre as fontes e expressões da(s) religião(ões). Dá prazer e aquieta-me saber que ainda há cérebros portugueses.
António Bracinha Vieira. Improvisações sobre a Ideia de Deus, Lisboa: & etc, 2005, 139 pp.

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