03 maio 2006

Nacionalismo e monarquia


Tenho - devo-o dizer - uma grande admiração pessoal pelo Dr. António Cruz Rodrigues. A sociedade portuguesa muito lhe deve na conquista desse bem precioso que é a liberdade de ensino: o direito de ensinar e aprender, trave mestra da criação de cidadãos responsáveis, autónomos e livres. Devo-lhe, pessoalmente, mil e uma atenções, desproporcionais às minhas humildes capacidades. Registo ainda, com grande emoção, a disponibilidade com que me franqueou as portas da sua editora para, sem condições e censuras, publicar a minha tese de mestrado sobre Homem Cristo Filho.
Publica hoje, no blogue que superiormente anima, um texto do qual me atrevo discordar. Embora não me considere "nacionalista" - termo usado e abusado ao ponto de perder qualquer sentido operativo - sou, como o Dr. Cruz Rodrigues, um patriota: amo a minha pátria, cultivo a memória deste pequeno povo capaz de façanhas de gigante, emociono-me com as marcas deixadas pelas quatro partidas do mundo. Apolítico, mas não despolitizado, só sei servir o Estado. Obrigado pelo respeito que as leis e instituições impõem, aceito as directrizes do regime e do sistema, sem me colocar, contudo, ao serviço de homens, de partidos, associações secretas e discretas e demais lóbis. Porém, não me convenço da bondade da preservação da República, por a considerar falha de legitimidade democrática - imposta a tiro - e constituir um agente de clivagem e confrontação entre portugueses. Por ser patriota na acepção que acima lembrei, sou, necessariamente, adepto da restauração monárquica, conquanto reinstaurada e sufragada pelos Portugueses. A monarquia não é um adereço. A monarquia traspõe o contingente dos regimes, dos partidos e dos homens. É uma instituição não-democrática, é certo, mas garantia da liberdade de todos, e até auxiliar precioso para as democracias representativas. Não tivesse o Professor Salazar insistido na preservação do incongruente balanceamento que só a sua figura permitia; não tivesse o Professor Caetano dinamitado a restauração em 1956, e estou certo que os atropelos, as feridas e o desastre de 74/75 não teriam ocorrido. Por outro lado, o sentimento do que é nosso, caminha mais amparado existindo a instituição real. O rei, qualquer rei, é um patriota. O mesmo não podemos afiançar dos senhores presidentes (fardados e desfardados) que têm passado por Belém. Acresce que o rei é árbitro supremo, comandante supremo das Forças Armadas; logo, invulnerável a manipulações, cedências e fraquezas. Com monarquia não há PREC's, nem barões de transnacionais, nem evacuação da soberania, nem regime corrupto que se possa impor sem destruir a coroa. E como a coroa é o povo, como o rei é o primeiro (príncipe), a unidade do Estado, o amor da Pátria e a permanência da Nação sobrevivem a todas as provações. É por isso que sou monárquico. Monárquico e patriota.

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