18 maio 2006

Já não há autarcia: a palavra de ordem é exportar, exportar, exportar


Os empresários portugueses continuam muito agarrados a hábitos herdados do "socialismo autárcico" de Salazar: uma economia fechada, um mercado condicionado pela benevolente mão protectora do Estado", crédito barato para o investimento, monopólios aquietados, favores pessoais e rede fixa de encomendas e clientes. Depois, com a maré nacionalizadora, o Estado foi sinónimo de negócio entrópico: o Estado encomendava ou mandava pagar. Entre 1975 e 1983, as receitas do comércio externo valiam pelo prestígio ganho nos anos do take off industrial dos anos 60. Assim, não tendo havido mudança no perfil do catálogo de mercadorias, Portugal foi perdendo, lenta mas inexoravelmente, para outras economias emergentes. Veio e CEE e a cornucópia de fundos ditos estruturais mantiveram a ilusão de um tecido produtivo que se manteria doravante com o simples argumento da preservação de empregos. O factor emprego, sobrelevando todos os outros, bastava para que se invocasse a "responsabilidade" da Comunidade na defesa de "direitos adquiridos". Em suma pazadas de socialismo nas engrenagens do capitalismo. Esta rodoma de ilusões acabou com a globalização - não essa assombração invocada pelos reaccionários de extrema-esquerda, nem a caixa de Pandora que tanto amedronta os ciosos do tribalismo nacionalista - mas por um tratado internacional que calcou os últimos vestígios do proteccionismo. Num mundo trepidante e sem barreiras, os empresários têm de se bastar a si próprios. Ora, é quando a necessidade faz tinir as sirenes - quando a necessidade aguça o engenho - que se vê se temos ou não uma cultura empresarial livre de servidões. Não compreendo, sinceramente, o motivo para tanto alarme. Países bem menos ricos, bem distantes dos grandes mercados consumidores e não protegidos por alianças como a que nos vincula ao clube da rica Europa, estão a sair-se bem, lançando mão de agressividade e criatividade. Lembro a Malásia, a Tailândia, o Chile e a Turquia, cujos saldos comerciais estão a dar saltos de gigante. Por cá, só ouvimos súplicas. Assim não há capitalismo que resista !

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