25 maio 2006

Intervir em Timor


Anda por aí muita gente carregada com as baias demissionistas herdadas do tempo em que se queria um Portugal 5x3, em formato de ataúde, resignado a vegetar numa doce mediocridade de super-mercado. A decisão de enviar uma força da GNR para Timor parece indiciar uma alteração significativa. Ai dos países cujas Forças de Segurança apenas servem para alimentar desfiles e justificar um orçamento. A intervenção em Timor, com ou sem anuência da ONU, não cumpre apenas necessidades psicológicas e morais - prestígio nacional, amizade entre os dois povos - mas estriba-se em evidências que importa lembrar:
- Nunca tantos portugueses viveram e trabalharam em Timor como hoje. Os 400 missionários da língua lá estabelecidos são os oleiros de uma nação emergente no cenário mais importante do século XXI: a Ásia. Se não estivessem lá, perder-se-ia a lusofonia em Timor, reduzida a uma língua morta falada pela elite política;
- As possibilidades de investimento em Timor são apreciáveis: café, petróleo, turismo e pescas. O café já é maioritariamente exportado e distribuído por uma empresa portuguesa. O turismo timorense tenderá a substituir o javanês, demasiadamente perigoso para australianos e europeus depois do 11 de Setembro;
- A existência de um regime amigo de Portugal proporciona vantagens evidentes no quadro da diplomacia regional. Se Xanana fosse arredado, indonésios e australianos utilizariam os seus peões para obter concessões. Portugal ficaria de fora. Não sei nada sobre a dimensão oculta dos negócios, negociatas e demais latrocínios supostamente patrocinados pelo Primeiro Ministro de Timor. Estou certo, porém, que o interesse nacional - nosso - passa pelo apoio a esse governo. Com umas canhoneiras ao largo e umas patrulhas, os rapazes sentir-se-ão menos ousados.
Esperemos, pois, que a intervenção não se limite à GNR. Se for caso disso, que vá a Marinha, que vão os fuzileiros, as forças especiais e até as mascotes !

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