12 abril 2006

Show de Adelino Maltez no Teatro do Ginásio


José Adelino Maltez deu ontem uma magnífica aula de subversão e pensar aberto perante um vasto auditório que se lhe rendeu entre aplausos e uma concentração que não via há muito. É verdadeiramente insólito, merecendo assinalar, que um conferencista consiga encher uma sala numa terça-feira ao fim da tarde. Os habituais libertadeiros da comunicação social hemiplégica e assalariada marcaram pela ausência, demonstrando uma vez mais que a verdade, a liberdade de espírito e a arte de comunicar sem florentinismos continuam banidas da atmosfera portuguesa. Desmontando um a um os sofismas que condenam os portugueses e o Estado a viver de costas voltadas, lembrando ser a soberania popular um facto histórico determinante da preservação da consciência nacional desde o século XIV, Maltez desferiu golpes certeiros naqueles que, desde o século XVI, foram alienando a unidade dos homens livres em favor de abstracções, de interesses comezinhos, compadrios e modas ideológicas. Afirmando-se um "miguelista liberal", lembrou que Portugal teve a primeira Constituição europeia, que o príncipe foi, até ao advento do Estado Moderno, o mantenedor da respublica e que Portugal poderá regressar às suas origens de comunidade livre quando se libertar do flagelo da partidocracia, das maçonarias, das seitas religiosas "secretas e discretas" e da xenofilia. Não concordando, aqui e ali, com algumas opiniões do brilhante catedrático, não posso deixar de reafirmar a grande estima e admiração pela coragem cívica, pela frontalidade e grande preparação de que, uma vez mais, deu provas.

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