19 abril 2006

Revolucionários liberais


Soa a contradição, mas não é. No mar de revivalismos, receituários esgotados e fixações que só apontam o rumo do passado, o pensamento liberal - ou seja, aquele que trata de pensar o indivíduo, não como prolongamento da sociedade e instrumento do "interesse superior do Estado", mas como origem da vida social e fonte da ordem política e jurídica - surge-nos como a maior provocação a um século de crenças holísticas e servidão estatocrática. A generalidade das pessoas tem medo da liberdade. A liberdade exige independência e luta pela demarcação. A liberdade pede responsabilidade, competência e emulação; em suma, exige qualidades, mérito, iniciativa, criatividade. Assisti ontem à apresentação do livro de André Azevedo Alves, Ordem, Liberdade e Estado. O autor, jovem de enorme potencial e provas dadas (e publicadas) é uma das grandes revelações desta década. Espero que consiga firmar-se como autor de referência e que do doutoramento que está a preparar no Reino Unido venha ainda mais radical na defesa daquele conjunto de ideias heréticas que fazem sacudir nos seus sarcófagos os detentores dos monopólios do "bem-comum", das "conquistas sociais" e do chupismo em que se precipitou a Europa ex-rica, ex-colonial e ex-capitalista. Nunca fui adepto do liberalismo, mas não posso deixar de concordar com muito do que afirmam. Aliás, se há revolucionários nesta Europa, serão com certeza os liberais.

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