03 abril 2006

Prazer em revolver putrefacções: o pentálogo

Andam por aí debates necrófilos a respeito de contagens e recontagens de cadáveres devidos a tragédias da história recente. Eu, que não tenho religião nem fui bafejado pela pistis de nenhum deus, assumo que o mal decorre da privação da única ideia de bem que consigo lobrigar: a do respeito devido a todos os indivíduos. Não há que ir a nenhuma moral essencialista para inferir da universalidade desta evidência: não matar, não roubar, não levantar falso testemunho, honrar pai e mãe, não cobiçar a casa do próximo. Os seguidores das religiões políticas contemporâneas que maior ceifa de vidas e humilhações perpetraram tratam, por artes e manhas, de discutir números. Não se trata, evidentemente, de saber se mataram 20 milhões ou 6 milhões. Mataram ? Mataram. Roubaram ? Roubaram. Mentiram e tiveram vergonha dos próprios actos, ao ponto de os quererem esconder ? Sim, mentiram e escamotearam. Inventaram toda a sorte de desculpas para justificar malfeitorias ? Sim, generalizando acusações. Mutilaram gravemente a honorabilidade dos seus países, obrigando os seus concidadãos a colaborar em crimes ? Evidente. O demais, são coisas de esquadra de polícia. Pessoas decentes não se devem envolver com lixo.

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