05 abril 2006

Os colonialistas: a tribo branca da África Oriental

Olhando para os velhos albúns de fotografias da minha família, lembrei-me que seria curioso folhear, comentando, algumas páginas desses registos de vidas passadas. Sem romantismos e sem intuitos promocionais de uma ideia de África que o tempo diluiu, iniciarei uma série de apontamentos intitulados Os colonialistas: a tribo branca da África Oriental lembrando, através dos meus, o último ciclo imperial português. A memória não se deve confundir com a história, mas não há história sem atentar às vivências, aos sentimentos e às pequenas coisas que dão corpo a uma comunidade. Estivemos fora da Europa durante quase um século. Três gerações nascidas em África, a que se devem acrescentar os anos de juventude de bisavós que lá foram parar. Muito tempo para que me possa desligar dessa herança. Persiste a ideia, falsa e malévola, do colonizador impune, negreiro e explorador. Com o apaziguar das feridas da guerra, da descolonização e do que se lhe seguiu, portugueses africanos e africanos nascidos sob a autoridade portuguesa recuperam a serenidade e podem, finalmente, olhar o tempo passado sem ressentimento.

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