21 abril 2006

Ontem morreu "O Livro de Cesário Verde": vivam os Cânticos do Realismo


Ontem fez-se história. Teresa Sobral Cunha arrumou definitivamente um velho tabú da literatura portuguesa. O erroneamente crismado "Livro de Cesário Verde" - título da lavra de Silva Pinto - dado à estampa em 1887, chama-se, afinal, Cânticos do Realismo, conforme vontade expressa do poeta em carta publicada no Diário da Tarde em Novembro de 1883, : "as poesias vão dentro em pouco ser publicadas em volume, sob o título Cânticos do Realismo". Num notável trabalho filológico e interpretativo, marcado pela absoluta racionalidade com que a investigadora devasta mitos e lugares-comuns, mas animada igualmente por uma paixão declarada por Cesário, Teresa Sobral Cunha é a antítese de um meio académico que prefere a mentira canónica à verdade. Ontem fez-se história. A partir de hoje acabou o "Livro de Cesário Verde". Se quiserem referi-lo com propriedade, usem, pf, Cânticos do Realismo.

VERDE, Cesário; CUNHA, Teresa Sobral (edição). Cânticos do Realismo e Outros Poemas [seguidos de] 32 Cartas. Lisboa: Relógio d'Água, 2006

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