11 abril 2006

O montador do esquentador


Ganhou a criatura com a cara chapada do sr. Amílcar, que lá pelo bairro instala os esquentadores. Zero como orador, venceu contudo pela expressiva margem de 0,1%, liderando uma coligação abstrusa que reune ligas abortistas, livre-consumistas, ex-terroristas arrependidos (não sabemos se arrependidos por haverem sido terroristas, se arrependidos por terem deixado de o ser), díscolos de montras da Mac Donalds, trostquistas, estalinistas, ex-comunistas, socialistas, liberais e "católicos", essa praga beatífica que não pode faltar em países onde uma sotaina ainda compra bem-aventuranças . Como manda a psicologia italiana, dentro de meses estarão todos de relações cortadas, eriçados em polémicas sobre se a estrela da bandeira italiana deve ser debroada a ouro, se aberta ou fechada, se os linguini, tortelonis, fuzilli e gnochis devem ter mais ou menos sal ou se os tiramisu devem ter uma ou duas riscas de chocolate de recheio. Aquele maravilhoso país é o paraíso dos phoney balooney . O arquétipo do italiano médio é o Totó, pelo que nada do que ali acontece pesa na política europeia. Os italianos - ah, como lhes acho graça - se não escorregam à entrada, escorregam à saída.

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