25 abril 2006

o bunquer


Ouvi a frase duas, três, dez vezes ao longo do dia. Sei que as palavras, à força de tanto serem repetidas, perdem o seu significado. São mera liturgia para crentes, os poucos que vão sobrevivendo à força da biologia. "25 de Abril outra vez" grita uma destentada no cortejo de anciãos que desce a Avenida atrás da carripana blindada. Outra vez ? Desta seria a morte definitiva do paciente - todos nós - entregues ao experimentalismo de uns senhores que mal cabiam nas fardas e que, por fim, só a custo empurrados para fora da governança, ainda pedem tenças, estátuas e condecorações. É o bunquer !

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