03 abril 2006

Maria de Lourdes Modesto para Prémio Camões


Em tempo de discussão sobre literatura light e literatura-lixo que inunda os escaparates, as sirenes da crítica comprada, da crítica promocional e das tertuliazinhas de salsaparrilha andam infrenes em busca de lenha para o auto-de-fé com que querem imolar um justo que teve o topete de denunciar as sacrossantas mentiras do "meio literário". Não leio, confesso, "literatura portuguesa contemporânea" - com excepção feita a Agustina, AM Couto Viana e Adília Lopes - pois entedia-me, adormece-me e impacienta-me de tanto repetir rodriguinhos, poses intimistas e acidentezinhos da sem-história portuguesa actual. Dei comigo a folhear um livro de receitas gastronómicas, redigido num português escorreito, transmitindo ideias claras, precisas, sem mácula de pretenciosismo. Pensei: a Maria de Lourdes Modesto é uma brilhante escritora. Há que lhe atribuir o Prémio Camões deste ano. Não estou a brincar.

Sem comentários: