18 abril 2006

Gloriosos patifes

Sempre tive atracção pela literatura latina clássica, em especial por essas irrepetíveis obras-primas de história romana saídas das tabuínhas de Tácito, Cícero, Políbio e Suetónio. Como leitura de entretenimento, sugiro um velho livrinho acabado de devorar, comprado por tuta e meia num alfarrabista. Os Césares: apogeu e loucura, de Ivar Lissner, publicado em português nos anos 50. Uma catadupa de envenenamentos por poções de Locusta, mais estrangulamentos, lutas na arena, defenestrações, parricídios, matricídios, incesto, golpes palacianos, crucificações, infanticídio, corrupção, traições e algum heroísmo à mistura. De César, mulherengo mas "raparigo" de poderosos, a Augusto vingador e coleccionador de moças, mais Tibério pedófilo e forreta, Calígula zoófilo e deslumbrado, Cláudio imbecil, cruel e dissimulado, Nero super-star perdulário, Galba-Otão-Vitélio criminosos comuns e locupletadores de pouca dura, Vespasiano burguês, Tito "delícia da humanidade", Domiciano ante-estalinista, Nerva senil mas sensato, Trajano digníssimo e Adriano, que para além da loucura por Antínoo foi um um exemplo de grandeza...uma galeria de monstros de rosto humano que não excede nem diminui esse longo momento da história ocidental, matriz de tudo o que de respeitável persiste, que foi o Império Romano. Uma obra desaconselhável a cultores de leituras edificantes.

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