20 março 2006

Vésperas sicilianas

As guerras no CDS - agora pudicamente menos PP, não vá o Desejado querer voltar - estão a assumir proporções dignas de crónica PDC anos 80. Ali não há ideias: há azedumes, rixas, caprichos e birras. Ali não há desinteligências estratégicas: há campanários, cepas a defender, enxadas e gadanhas em riste. Excepção feita a Telmo Correia, Anacoreta Correia, Mª José N. Pinto e Pires de Lima, dir-se-ia ter-se o CDS estatelado no amadorismo de um pequeno movimento extra-parlamentar, desses centos que nascem com as primeiras chuvas e não chegam ao verão. A prestação do grupo parlamentar é insignificante, como insignificante é - ou parece ser, pela ausência e vacuidade - a direcção nacional. É pena. Sabemos que não há Adrianos Moreira e Paulos Portas em todas as esquinas. O CDS desperdiçou-os. Eram maiores que o partido. Se Adriano tentou - sabe-se com quanto sacrifício - dar lastro ideológico ao partido do rigorosamente ao centro, Paulo Portas - sem dúvida o melhor orador político das últimas décadas - deu-lhe vida, militância e notoriedade. Encontrei ontem uma velha amiga, militante desde sempre do partido do Caldas. Disse-me, com uma sombra na voz, que tudo "acabou quando Portas decidiu sair". Não, Paulo Portas está em Elba, a poucas milhas da costa. Numa manhã, o Desejado, com meia dúzia de granadeiros, desembarcará e terá a seus pés o exército que tantas lutas travou pela manutenção de uma direita parlamentar aguerrida, aplaudida e detestada. Só que desta vez não haverá mais abdicações.

Sem comentários: