06 março 2006

Um ano de Sócrates

Ninguém dava nada por ele. Era o homem da coincineração e dos duelos com Santana Lopes na arena televisiva. O PS era de Soares e parentela, mais uns velhotes endinheirados, uns soixante-huitards e meia-dúzia de soldados práticos de Macau. Num ano, Sócrates atirou Soares para o limbo, o filho-Soares para as masmorras de If, os baronetes mafiosos do norte para o esquecimento e o pesporrente consorte de Bárbara de volta para a Avenida de Berna. Com um discurso duro, pôs na ordem os alarves do jornalismo, domesticou os mesteirais do sindicalismo demagógico, silenciou as potestades corporativas de bata branca e coagiu os arrecadadores de impostos a trabalhar. O governo tem trabalhado bem: diz-me uma amiga envolvida na política de difusão dos produtos nacionais no estrangeiro que temos participado em todas as grandes feiras internacionais. Resultado automático: as exportações aumentaram. A atracção de investimentos está a ter sucesso. Ora, se tudo continuar assim, Sócrates vai ficar por mais 4 anos. Sorte tremenda a de encontrar um ciclo económico auspicioso, sorte por ter como líderes da oposição Mendes & Castro. Mas, o mais importante, o de ter assumido integralmente as funções e, sem titubeios, dizer que não recebe ordens. O homem é autoritário, casmurro, desagradável por vezes, fala aos berros e não ouve, mas ninguém pode recusar a evidência de ser o primeiro primeiro-ministro que temos desde Cavaco.

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