12 março 2006

Je m'en fou

Quero lá saber que o cidadão Sampaio tenha voltado ontem à faena dos futebóis; quero lá saber que na Madeira se tenha propagado uma jacquerie pelo mau resultado dos futebóis locais; quero lá saber que uma carrinha com futebolistas de "15 anos" tenha tido um percalço que terminou nas urgências, com o habitual estendal de gritos e voyeurismo sopeiral; quero lá saber que numa paróquia das berças o pároco seja alvo da ira divina do povo-sábio; quero lá saber que uma junta de freguesia tenha iniciado uma campanha de prevenção contra o perigo da gripe das aves. Abri a televisão às 13, esperando algo de relevante. 13.10, 13.20, 13.35, nada. Futebol, acidentes, pontes e postes com fissuras, bigodudos e matronas com a lágrima no canto do olho, uma incursão a um almoço do CDS/PP lembrando as guerrinhas do defunto PDC, um almoço de velhotes do PC e nada. Mudei para a TVE: crise nuclear do Irão, morte de Milosevic, Milão a ferro-e-fogo, evocação do 11 de Março - não nosso, que foi mais uma palhaçada trágica que um acontecimento - e um interesante apontamento sobre receptação de obras de arte no circuitos dos antiquários. Estamos cada vez mais regionalizados, cada vez mais rendidos à tentação localista de uma provincia de Espanha.

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