24 março 2006

217 anos de guerra civil ou os malefícios da politização

A "crise francesa" é um estado crónico e agónico. Os franceses malbarataram mil uma oportunidades históricas, esbanjando energia em lutas fratricidas enquanto a Grã-Bretanha e a Germânia se iam reforçando. Povo dotado de uma hiper-excitação nervosa quase histérica, faladores inveterados e polemistas fervorosos, os franceses estão em guerra civil larvar desde 1789: revolução, monarquia de Julho (1830), barricadas de 1848, comuna de Paris (1871), dreyfusards v. anti-dreyfusards, camelots du roi v. metecos, "collabos" v. "resistentes, pró-Argélia Francesa v. pró-independentistas, gaulistas v. soissante-huitards, lepenistas v. emigracionistas e agora chupistas v. anti-estatistas. A coisa não encontra remédio. Não se trata de discutir, é claro, o "modelo social francês", coisa que não existe nem nunca existiu senão na cabeça dos franceses, que ainda se julgam o centro do mundo. Não, a questão é outra. A politização extrema transforma as pessoas, irracionaliza-as. Quando a paixão toma de assalto a inteligência, cai-se na balbúrdia francesa. A França, para curar o mal, socorre-se de espadas: Napoleão Bonaparte, Luís Bonaparte, Bazaine, Mac-Mahon, Boulanger, Philippe Pétain, De Gaulle. Creio que a espada está, neste momento, nas mãos de Sarcossi. O nome soa a italiano (ou a Corso). Como disse Gustave Thibon, a França fez a revolução com as ideias de um genebrino (Rosseau) e salvou-se com a energia de um corso.

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