03 Fevereiro 2012

Força Vasco, nós sermos a muralha de aço


O transbordo ortográfico - coisa imposta por decreto regulamentadeiro e absolutista por gente que nunca abriu um livro nem jamais pôs os chispes numa biblioteca - foi corrido do Centro Cultural de Belém no mesmo estilo como o foram os argentários do Templo de Jerusalém: a pontapé. Vasco Graça Moura, um dos poucos pescoços que nesta terra se pode dar ao luxo de reivindicar uma cabeça, acabou com um equívoco. Outros que o sigam. Vá, não tenham medo de perder os encostos !

02 Fevereiro 2012

Blackout


Não sei se repararam o total blackout das várias rádios Moscovo a propósito da atribuição da condecoração à Infanta Dona Adelaide de Bragança. Contrariados - amofinadíssimos, claro - os vários Propagandaministerien lá concederam o meio minuto para os intocáveis. Não, essa liberdade proclamada na lei da imprensa é a liberdade para ocultar, distorcer, enganar e, se possível, ridicularizar, escarnecer e ironizar de tudo. Aquelas cabecinhas semi-letradas não servem para mais.
Estou, podem crer, com terríveis ganas de partir para um novo exílio voluntário. Isto é irrespirável !

31 Janeiro 2012

A autoridade que rasga a escuridão


A biografia não é recente, mas ganha plena legibilidade um ano após o início da chamada "primavera árabe", que não deu em liberdade, mas em caos - caos induzido, pois claro - e agora pede reparações e duras sangrias que se farão pela via oposta. Tive o privilégio de estar em Omã em 1983, orgulhoso sultanato que foi império e pertence à Arábia Azul, do mar e do comércio. Participei com o João Portugal, enquanto membros da Nova Monarquia , na delegação da Paneuropa de Otão de Habsburgo, que ali deslocou uma grande delegação por ocasião do 13º aniversário da ascensão do Sultão Qaboos bin Said ao trono. Foram dias intensos dos quais guardo as melhores imagens. Ali, não obstante as guerras entre portugueses e omanitas, o nosso nome é respeitado, como devem ser respeitados os inimigos que se batem olhos-nos-olhos.
Aquela terra árida e inclemente deu passos de gigante ao longo destes quarenta anos de reinado, sem esbanjamento e sem abdicar de um grama da sua identidade. Qaboos será, sem dúvida, um dos mais bem sucedidos grandes estadistas de cepa  reformista, pois produziu obra material e humana sem os efeitos colaterais das ditaduras, demonstrando como só as monarquias podem ser a um tempo agentes de paz e mudança social.

30 Janeiro 2012

Relações entre Portugal e a Tailândia: a tragédia dos Protukét de Ayutthaya e o nascimento de Bangkok

Relações entre Portugal e a Tailândia: a conquista de Malaca e o sistema internacional sinocêntrico



Pese a tenebrosa escuridão das imagens, aqui está, em tom ameno de charla, a continuação da visita de estudo que o Millennium BCP realizou à exposição Das Partes do Sião, patente na Biblioteca Nacional de Portugal.

Relações entre Portugal e a Tailândia: os três vectores da relação



Visita de estudo à exposição Das Partes do Sião, patente ao público na Biblioteca Nacional de Portugal até finais de Fevereiro. Tem sido grande o interesse do público, expresso pelas centenas de pessoas que a ela têm acorrido. As imagens aqui apresentadas foram gravadas no sábado passado e coube-me, por ausência do Professor António Vasconcelos de Saldanha, fazer de cicerone. Amanhã: a conquista de Malaca e os primeiros contactos com os siameses.

27 Janeiro 2012

Antes dos "estudos pós-coloniais", das desconstruções, do ver o mundo através do "Outro" e quejandas patetices



Rever Wind Cannot Read, com Dirk Bogarde e Yoko Tant enchendo o ecrã, porque as histórias de amor e guerra são as mesmas desde o princípio da literatura.

26 Janeiro 2012

Circunvoluçõeszinhas atormentadas

A inteligência parece ter cortado radicalmente relações com os portugueses. No furor anti-Cavaco, alimentado pelo fogo da inveja (horriplitante pecha de carácter que aflige cronicamente tanta gente), também há uma molécula de indignação. Todos têm esse direito. O chefe de estado não é cereja para bolo algum, antipático, irritado e irritante, provinciano, bacoco, desinteressante como pessoa e ausente como figura, ríspido, sem sentido de humor, sem livros e letras, sem fogo, carisma ou graça. Já tudo tentei para reparar a minha reserva, mas não consegui. 
Porém, nesta tempestade do escândalo em torno das desmioladas declarações, há algo que surpreende. Temos sido governados, desde há décadas, por gente nula, mesquinha, ávida, açambarcadora, incapaz, mal-intencionada, corrupta e dada a todas as aventuras. Ainda não pararam os portugueses por um minuto; ainda não se deram conta que os três últimos chefes de governo vivem no estrangeiro; ainda não estudaram o perfil e o percurso de seis sucessivos presidentes ? Com excepção de Eanes - fraco, mas patriota - esse friso é quase lombrosiano, cada qual tentando superar o precedente em estultícia, arranjos, habilidades e demissão.

Não sejam tolos ! O que está em curso é uma tentativa dos de sempre para colocar um buda em Belém; um buda assassino, que possua a faca constitucional que permita um novo golpe, como aquele que foi assestado em Santana Lopes. "Eles" não sabem estar na oposição. "Isto" é deles. Com Cavaco fora, querem, uma vez mais, um golpe de Estado constitucional. Só agora começo a compreender que a campanha anti-Cavaco não tem nada de moral; é imoral, ou antes, é a moral daqueles que não têm autoridade moral para nada.

O pobre pastor que foi imperador e logo 13º Apóstolo



A fascinante e terrível vida do pobre pastor da savana que foi sargento e herói do exército colonial francês, logo presidente vitalício e imperador auto-proclamado do Império Centro-Africano - depois condenado à morte por canibalismo, com pena comutada para prisão perpétua - e que terminou a vida anunciando-se o 13º apóstolo. De lado, sem o exótico, os diamantes que alimentaram a camarilha Giscard, a hipocrisia dos comensais europeus aspirando por uma esmola reluzente e a interesseira cegueira de quem alimentou, estimulou e benzeu uma loucura digna do melhor Conrad.